A chuva chegou em BH e as obras que deveriam segurar os barrancos estão paradas: veja onde
São R$ 19,8 milhões travados em seis contratos de contenção. E os reservatórios contra enchente de Venda Nova só ficam prontos depois deste verão
A temporada de chuva começou em Belo Horizonte com um problema que não aparece no plano oficial da Prefeitura: seis contratos de contenção de encostas estão parados, justamente nas áreas onde um temporal pode derrubar barranco sobre casa.
Juntos, eles somam cerca de R$ 19,8 milhões e deveriam proteger pelo menos 14 pontos da cidade, em seis regionais: Norte, Pampulha, Noroeste, Oeste, Centro-Sul e Venda Nova. O levantamento é do jornal O Tempo, feito no portal de transparência da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura.
Onde estão as obras paradas
- Jardim Alvorada, Padre Eustáquio e Vila Beira Linha: contrato de R$ 5 milhões, assinado em 2022. Está sendo encerrado porque, segundo a Prefeitura, a empreiteira descumpriu o combinado. Na prática, a obra volta à estaca zero.
- Várias vilas da cidade: o maior contrato, de R$ 9,4 milhões, inclui contenções e casas para famílias. Foi assinado em 2018 e precisa ser refeito porque a encosta mudou.
- Vila Nossa Senhora de Fátima (Centro-Sul): R$ 823 mil. O projeto está sendo revisto depois de um escorregamento no local.
- Aglomerado Santa Lúcia: R$ 1,3 milhão em demolições, que aguardam o fim da retirada das famílias.
- Vilas Mariquinhas e Boa União: R$ 1,4 milhão, ainda na fase de análise de projeto.
- Ocupação Vitória, na Izidora (Norte): R$ 1,7 milhão, travado por interferência em redes da Copasa.

E as enchentes?
Quem mora em Venda Nova também vai atravessar mais um verão sem a proteção completa. O reservatório Vilarinho 2 funciona com cerca de metade da capacidade e ainda depende de licitação para ser retomado. O Nado 1 só volta a ter obra em 2027. Os dois custam R$ 263 milhões. Na Pampulha, a segunda etapa das obras do ribeirão, na avenida Cristiano Machado, fica para 2028.
O que a Prefeitura diz
Na segunda-feira (5), a Prefeitura apresentou o plano para a temporada 2026/2027. Os números oficiais apontam 1.149 vistorias em áreas de risco neste ano, 89 intervenções concluídas e 116 obras em andamento, além de 87.736 bocas de lobo limpas entre janeiro e agosto. Famílias em risco alto, onde obra não resolve, são retiradas e recebem o Bolsa Moradia.
O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes, prometeu plantão 24 horas e cobrou os moradores: “A sociedade tem que se envolver”.
Mora perto de encosta? Guarde isto
- Emergência: ligue 199, a qualquer hora.
- Rachadura, trinca ou muro inclinado: peça vistoria no 3277-6409, de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
- Alerta de chuva no celular: mande um SMS com o seu CEP para 40199. É de graça.
- Rua alagada: não atravesse, nem a pé nem de carro.
A obra da sua rua também está parada? Mande para o Clarim Cobra. A gente publica, cobra o órgão responsável e conta os dias até resolver.

