UFMG começa a testar vacina 100% brasileira contra malária em humanos
Anvisa liberou esta semana o início dos estudos com 48 voluntários no CTVacinas, no BH-TEC
Imagem ilustrativa. Foto: Julia Koblitz/Unsplash
A vacina Vivaxin, desenvolvida pela UFMG contra a malária, começou os testes em humanos. A Anvisa liberou esta semana o estudo com 48 voluntários saudáveis para avaliar a segurança e a resposta imune do corpo ao imunizante. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou neste sábado (10/10) o CTVacinas da UFMG, que fica no BH-TEC, em Belo Horizonte, segundo o Estado de Minas.
A vacina é 100% produzida no Brasil. Ela foi desenvolvida pelo CTVacinas da UFMG em parceria com a Universidade de São Paulo e o laboratório Cristália. De acordo com o Ministério da Saúde, se os testes avançarem com sucesso, o imunizante poderá ajudar o Brasil a eliminar a transmissão local da doença até 2035.
Entenda em 1 minutoA vacina brasileira contra malária
Infográfico: Clarim BH, com informações de Estado de Minas
Por que uma vacina brasileira
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a malária ainda é um problema no Brasil e no mundo. As mudanças climáticas tendem a expandir a doença para lugares onde ela não existia antes. O país registrou 118.617 casos somente em 2025, informou. Entre a população indígena Yanomami, a redução de casos foi de 60% nos últimos anos.
A malária no Brasil, sobretudo na região amazônica, é causada por um parasita diferente do que predomina na África, de acordo com o Ministério da Saúde. Por isso, as vacinas da Organização Mundial da Saúde não são adequadas para o tipo de malária que ocorre aqui.
Como será o estudo
O estudo de fase 1 vai avaliar a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica, segundo o Estado de Minas. Os 48 participantes têm entre 18 e 59 anos e não tiveram infecção prévia. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias. O Ministério da Saúde prevê um incentivo de R$ 12 milhões para esta etapa.
De acordo com Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, os próximos passos buscam estudar a segurança, definir a dose e avaliar a capacidade de gerar resposta imune. Após a primeira e a segunda fases, a terceira etapa pode durar de cinco a sete anos até a conclusão dos estudos.
Outros projetos do CTVacinas
Além da vacina contra a malária, o CTVacinas da UFMG trabalha em outros projetos, segundo o Estado de Minas. Entre eles estão uma vacina terapêutica para doença de Chagas, vacina para Mpox, vacina nasal para covid-19 e testes rápidos para diagnóstico de emergências sanitárias. Atualmente, o controle da malária no país é feito por meio de diagnóstico rápido, controle de vetores e tratamento gratuito oferecido pelo SUS.
Com informações do Estado de Minas.
