Donos de terrenos propõem solução para parque prometido há 18 anos no Vetor Norte
Assembleia vai levar proposta ao governo: moradores sofrem com enchentes e falta de lazer desde 2008
Foto: Henrique Chendes
Os donos dos terrenos desapropriados para a construção da Cidade Administrativa apresentaram nesta quinta-feira (15) uma proposta para resolver o impasse que se arrasta desde 2008. A ideia é doar ao governo dois terços de cada terreno e, em troca, poder construir na área que sobrar. Eles também se comprometem a criar e cuidar do Parque Estadual Serra Verde e a fazer uma via de ligação entre a Linha Verde e as regiões sul de Vespasiano e nordeste de Ribeirão das Neves.
A proposta foi apresentada em audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa, segundo informou a ALMG. A deputada Andréia de Jesus (PT), que pediu a reunião, decidiu levar a proposta ao governo em uma visita à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Ela também quer incluir a Mesa de Diálogo do Estado na conversa.
Entenda em 1 minutoA proposta dos donos dos terrenos
Infográfico: Clarim BH, com informações de Assembleia Legislativa de Minas Gerais
O que está em jogo
Em 2008, o governo de Minas começou a desapropriar vários terrenos na região norte de Belo Horizonte para construir a Cidade Administrativa, de acordo com a ALMG. O Estado ofereceu R$ 12 por metro quadrado, valor que os donos consideraram baixo. Eles entraram na Justiça e perícias apontaram valores bem maiores. Até hoje, segundo a Assembleia, o governo adia o julgamento alegando falta de dinheiro para pagar.
O Parque Serra Verde era uma exigência da Prefeitura de BH para liberar o alvará de funcionamento da Cidade Administrativa, mas nunca foi implantado, informou a ALMG. Com a nova proposta, o parque teria 1,8 milhão de metros quadrados. O assessor dos proprietários, Márcio Antônio Marques Gomes, afirmou na audiência que “temos que transformar este cenário em que todo mundo perde em outro em que todo mundo ganha”.
Problemas para os moradores
Moradores da região reclamaram na audiência que sofrem com enchentes desde que a Cidade Administrativa foi construída, segundo a ALMG. Chesterlane de Souza, da Associação Mila de Política Cidadã, explicou que a obra impermeabilizou grandes áreas. A água que infiltrava no solo passou a ir para canais, causando inundações frequentes.
Representantes de movimentos sociais também disseram que a área onde seria o parque virou local perigoso, com incêndios anuais, uso de drogas e crimes, de acordo com a Assembleia. Fagner Daniel da Silva, do Movimento Com Força, pediu urgência: “está sendo retirada de nós a possibilidade de levarmos nossas crianças ao parque”.
O que vem pela frente
A deputada Andréia de Jesus disse ter esperança de que o novo governo do Estado, que terá à frente o ex-deputado e senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), aceite a proposta, informou a ALMG. Ela criticou os impactos negativos da Cidade Administrativa, que persistem há quase 20 anos. Jaime Naves Branco, dono de um dos terrenos desapropriados, afirmou que o pai dele tinha uma fazenda de 66 mil metros quadrados na região. “Desde 2008, estamos aguardando solução e precisamos de resposta concreta do Estado para resolver o impasse”, disse.
Com informações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.


